Cachoeirinha decreta emergência sanitária após um mês de falhas na coleta de lixo
A Prefeitura de Cachoeirinha decretou, nesta terça-feira (6), situação de emergência sanitária em razão dos problemas na coleta de lixo registrados no município ao longo do último mês. O decreto entra em vigor na sexta-feira (9) e terá validade de 60 dias.
Segundo a administração municipal, a medida foi adotada diante da crise no sistema de coleta, transporte e destinação de resíduos sólidos, que resultou no acúmulo de lixo em vias públicas e contêineres de diferentes bairros da cidade.
O decreto autoriza a realização de uma força-tarefa com o uso de equipes, caminhões e maquinários próprios do município para a retirada dos resíduos acumulados. A ação será coordenada pela Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Urbanos. A mobilização inicial está prevista para durar 15 dias, podendo ser ajustada conforme a evolução dos serviços.
O documento também permite a execução dos trabalhos de forma ininterrupta, durante 24 horas, tanto pela estrutura da prefeitura quanto pela empresa contratada para a coleta.
Outra medida anunciada é a mudança do local de transbordo do lixo. A operação deixa de ocorrer em São Leopoldo e passa a ser realizada em Gravataí. De acordo com a prefeitura, a alteração deve reduzir o tempo de espera dos caminhões e agilizar o serviço. Ainda nesta terça-feira (6), foi assinado o contrato com a nova empresa responsável pela coleta de resíduos. A operação está prevista para iniciar na sexta-feira (9).
Contexto político
O anúncio do decreto ocorre quatro dias após a cassação do ex-prefeito de Cachoeirinha, Cristian Wasem (MDB), e do ex-vice-prefeito, delegado João Paulo Martins (PP). O relatório que embasou o processo de impeachment aponta suspeitas de contratações sem licitação, com indicação de afiliados políticos para serviços terceirizados, além do adiamento da contribuição patronal ao Instituto de Previdência dos Servidores (Iprec).
Em nota, o prefeito afastado afirmou que ele e o vice foram eleitos democraticamente e que o processo conduzido pela Câmara de Vereadores não seria legítimo. Segundo ele, trata-se de uma manobra política para permitir que um grupo assuma o comando da prefeitura sem eleição.
Com a cassação, a prefeita interina Jussara Caçapava deverá convocar nova eleição para prefeito em até seis meses, conforme determina a Justiça Eleitoral nos casos em que ainda não tenham transcorrido dois anos de mandato.

