| Eveline Juswiak
Psicóloga – CRP 07/20725
Estamos em um tempo em que a intolerância tem sido muito abordada e discutida em diferentes contextos sociais, seja nos meios de comunicação formais, nas rodas de conversas, ou nas próprias redes sociais. O fato é que esse assunto está sendo tão debatido por existir um movimento social que luta pelos direitos de todas as pessoas poderem fazer suas próprias escolhas, e não serem discriminados por isso.
Mas e quando a intolerância é combatida com comportamentos também intolerantes? E quando essa briga erra o alvo, e começa com a generalização e pensamentos de que a pessoa é a opinião que ela emite?
Não é de hoje que as pessoas têm dificuldades em lidar com idéias diferentes, mas também percebo pessoas cada vez mais rígidas em suas opiniões. Quando tratamos assuntos sociais com rigidez acabamos limitando cada vez mais nossas relações. Selecionamos apenas pessoas que pensam igual, e facilmente “excluímos” amigos que tem visões de mundo bem diferentes das nossas. Acabamos nos colocando dentro de bolhas, criando um mundo apenas com aquilo que pensamos ser correto.
Lidar com pessoas que tem pensamentos divergentes dos nossos não é agradável, principalmente quando se tratam de assuntos que nos ferem ou tem relação com escolhas que fizemos. Mas você já pensou que assim como você, ela também é uma pessoa que não se resume pelo o que ela pensa?
Uma reflexão é importante: existem pessoas, que mesmo que pensem diferente de nós, são importantes em nossa vida. É necessário pesar se essa relação vale à pena o investimento, apesar do desconforto. Muitas vezes é preciso praticar a abertura para o que é diferente, aceitar o desconforto, pela importância da relação.
Outra pergunta que tu pode se fazer é: “como eu quero que esse relacionamento seja?”. Tome a iniciativa de fazer essa relação ser como tu deseja. Não podemos esperar tolerância, se não formos tolerantes com quem pensa diferente de nós.
Por fim, a melhor forma de se relacionar com as pessoas é aplicando o principio da flexibilidade, e isso não quer dizer ser “Maria vai com as outras”. Flexibilidade aqui significa não levar tudo com tanta rigidez, poder ouvir opiniões diferentes e não precisar concordar, e nem convencer o outro para concordar contigo.
No caminho da tolerância sempre há desconfortos, pois isso quer dizer conviver com quem é diferente de mim, lidar com pensamentos divergentes, e principalmente aceitar que o outro não precisa ter a mesma visão de mundo que eu.

