Nos dias 25 a 28 de novembro deste ano, tive a honra de representar o município de Gravataí numa missão técnica promovida pelo Sebrae RS à cidade de Londrina (PR), com o objetivo de conhecer de perto um dos ecossistemas de inovação mais bem estruturados do Brasil: a Estação 43, integrada ao Fórum Desenvolve Londrina. Essa experiência trouxe aprendizados valiosos para quem, como eu, acredita que inovação exige estratégia, governança e cooperação entre diversos atores da sociedade.
O que é o Fórum Desenvolve Londrina e por que ele importa
O Fórum Desenvolve Londrina nasceu em 2005 como um fórum permanente de planejamento estratégico voltado ao desenvolvimento sustentável da cidade. Desde então, mobiliza entidades da sociedade civil, setor público, academia e iniciativa privada — por meio de participação voluntária — para construir coletivamente cenários e soluções para os desafios urbanos, sociais, econômicos e ambientais.
Entre seus principais instrumentos estão os estudos e um Manual de Indicadores de Desenvolvimento, atualizados anualmente, e a realização do “Fórum em Debate” — encontro aberto à população para discussão dos temas prioritários.
Esse trabalho contínuo de monitoramento e participação ajuda a construir transparência, engajamento cidadão e uma visão de médio e longo prazo para a cidade.
Estação 43: governança, diversidade e articulação estruturada
Visitar a Estação 43 foi compreender um modelo de governança singular — estruturado a partir da colaboração entre os atores da chamada “Quádrupla Hélice”: Poder Público, Academia, Iniciativa Privada e Sociedade Civil. O diferencial está na coordenação de 12 frentes setoriais e transversais que abrangem desde agronegócio, construção civil e comércio, até saúde, tecnologia, startups, educação superior, indústria eletrometalmecânica, química e materiais, audiovisual, turismo e smart city. Esse ecossistema articulado permite conectar demandas locais, capital intelectual, investimento, inovação e políticas públicas, gerando oportunidades de desenvolvimento integrado e sustentável.
Para nós de Gravataí — e para todo o Sul do Brasil — esse modelo representa uma referência concreta de como construir ambientes de inovação com governança participativa, planejamento e ações alinhadas ao futuro.
Aprendizados para Gravataí e o Rio Grande do Sul
A experiência em Londrina reforça três lições estratégicas que podemos trazer para nossa realidade:
- Planejamento de longo prazo e governança integrada: iniciativas como um fórum permanente e um conselho ampliado garantem estabilidade, participação e clareza de objetivos — elementos essenciais para qualquer política pública de inovação.
- Diversificação de setores e sinergia entre eles: a atuação conjunta de diferentes frentes setoriais amplia o leque de oportunidades, fortalece a resiliência econômica e permite que inovação não seja restrita apenas à tecnologia, mas se aplique a diversos segmentos da sociedade.
- Participação ativa da sociedade e do ecossistema privado: a inovação ganha força quando é construída de forma colaborativa, com engajamento de municípios, empresas, academia e cidadãos — o que favorece soluções inclusivas, contextualizadas e sustentáveis.
Em Gravataí, já temos uma base sólida: histórico de investimento em inovação, programas de capacitação, incentivo a startups e políticas públicas voltadas à geração de talentos. Agora, com os aprendizados da missão técnica, estamos mais preparados para dar um passo adiante: promover uma governança de ecossistema, articular setores, fomentar clusters e criar oportunidades reais de inovação local.
Um futuro para construir juntos
O exemplo da Estação 43 e do Fórum Desenvolve Londrina demonstra que o desenvolvimento urbano, social e econômico não depende apenas de atos isolados — depende de estratégia, participação e visão de futuro.
Como gestora pública e cidadã de Gravataí, retorno da missão com o compromisso de adaptar essas boas práticas ao nosso contexto, dialogar com a comunidade, empresas e instituições de ensino, e promover iniciativas que transformem ideias em oportunidades concretas.
A inovação não é um destino, mas uma jornada — e convido todos a caminhar comigo nessa construção coletiva.
Selma Fraga – Secretária Municipal de Inovação, Ciência e Tecnologia — Gravataí (RS)

