Entidades manifestam preocupação com o cenário político de Cachoeirinha
Na tarde desta quinta-feira (30), a Associação Empresarial de Cachoeirinha (ACC) divulgou uma nota oficial expressando preocupação com o atual cenário político do município. O posicionamento ocorre dias após o Centro das Indústrias de Cachoeirinha (CIC) também se manifestar sobre o tema, alertando para o risco de o processo ter cunho eleitoral e interesses pessoais acima do interesse coletivo.
Na semana passada, a Câmara de Vereadores aprovou, por 13 votos a 4, a abertura do processo de impeachment do prefeito Cristian Wasem (MDB) e do vice-prefeito Delegado João Paulo Martins (Progressistas). O pedido foi protocolado pelo suplente de vereador Valdemir de Almeida (PL), conhecido como Xereta, e elaborado pelo advogado Hendrix Gavião.
O documento se baseia no Decreto-Lei nº 201/1967, que trata das infrações político-administrativas de prefeitos e vices em todo o país. Segundo a peça, os gestores teriam cometido infrações político-administrativas e crimes de responsabilidade, com base em elementos reunidos na Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) nº 0600571-47.2024.6.21.0143 e em relatórios do Tribunal de Contas do Estado (TCE/RS).
A Câmara definiu a composição da comissão processante, formada por Zeca Transportes (presidente), Mano (relator) e Gilson Stuart (membro). A comissão notificará a Prefeitura sobre o andamento do processo, e os representantes do prefeito e do vice terão 10 dias úteis para apresentar defesa, com até 10 testemunhas. Após essa etapa, o Legislativo terá até 90 dias úteis para deliberar sobre o impeachment.
Se a cassação for aprovada por dois terços dos vereadores, uma nova eleição para prefeito e vice deverá ser convocada em até 180 dias, sob acompanhamento da Justiça Eleitoral.
ACC defende estabilidade institucional
Em nota, a Associação Empresarial de Cachoeirinha (ACC) destacou preocupação com os reflexos políticos e econômicos do processo. A entidade reiterou seu caráter apartidário e afirmou que sua atuação está voltada ao desenvolvimento econômico, à geração de empregos e renda no município.
“O contexto afeta diretamente o ambiente econômico, a confiança dos investidores, a atração de novas empresas e, consequentemente, a geração de empregos”, afirma o texto. A ACC defende que todos os fatos sejam apurados com transparência e amparo na lei, garantindo a estabilidade institucional e o progresso da cidade.
A entidade também ressaltou a importância de manter o diálogo entre o setor produtivo e o poder público, citando parcerias com a Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Trabalho em projetos voltados à inovação e ao fortalecimento dos negócios locais.
CIC pede cautela e apuração sem viés político
O Centro das Indústrias de Cachoeirinha (CIC) também manifestou preocupação com o impacto do processo de impeachment sobre a economia e a imagem do município. Em nota divulgada na sexta-feira (24), a entidade destacou que, durante a atual gestão, manteve relação institucional pautada no diálogo e cooperação, o que contribuiu para avanços econômicos e sociais.
Entre os resultados obtidos, o CIC cita que Cachoeirinha ficou entre as 40 melhores cidades do Brasil para fazer negócios, é a segunda mais segura do Rio Grande do Sul e está entre as que mais geraram empregos em 2025.
O texto afirma que o processo pode gerar instabilidade entre investidores e empreendedores, prejudicando a continuidade de projetos estratégicos. “Até o momento, não há apuração conclusiva que comprove conduta irregular dos gestores municipais”, diz a nota. O CIC defende o respeito ao devido processo legal, à ampla defesa e à presunção de inocência.
A entidade reforça ainda a necessidade de uma apuração célere, imparcial e transparente, de forma a preservar a verdade, a justiça e a estabilidade política e econômica do município.

