De agosto a agosto: do www à inteligência artificial
Minha trajetória na tecnologia começou em 1978, quando dei os primeiros passos profissionais em uma área que ainda engatinhava no Brasil. Naquele tempo, computadores eram grandes, caros e restritos a empresas e universidades. Trabalhar com processamento de dados significava lidar com cartões perfurados, mainframes e linguagens de programação ainda muito distantes do cotidiano da maioria das pessoas.
Nove anos depois, em 21 de agosto de 1987, concluí minha graduação em Processamento de Dados pela Unisinos. Uma conquista que consolidou a escolha feita no final dos anos 1970 e me preparou para acompanhar as mudanças que viriam.
Quatro anos depois, em outro agosto, no dia 6 de agosto de 1991, o cientista britânico Tim Berners-Lee colocava no ar o primeiro site da história, inaugurando oficialmente a World Wide Web. O famoso “www” não foi apenas um marco tecnológico, mas o início de uma revolução que democratizou a informação e conectou o mundo.
A partir dali a internet deixou de ser um recurso de uso restrito e se tornou parte do cotidiano global. Nos anos 1990, popularizou-se o acesso doméstico; nos anos 2000, a chegada da banda larga e das redes sociais mudou nossa forma de comunicar, trabalhar e aprender. A transformação foi tão intensa que é difícil imaginar qualquer setor da sociedade que não tenha sido impactado.
Hoje, vivemos outro momento histórico: a ascensão da inteligência artificial generativa. Se o www organizou e disponibilizou informações, a IA agora é capaz de criar novos conteúdos e tomar decisões baseadas em dados. Textos, imagens, sons, códigos e até diagnósticos são produzidos por algoritmos em segundos.
Assim como em 1978 eu acreditava no potencial transformador da tecnologia, hoje vejo na inteligência artificial tanto oportunidades quanto desafios. Oportunidades de ampliar conhecimento, produtividade e inclusão. Mas também desafios éticos, sociais e políticos: como evitar a concentração de poder tecnológico? Como preparar a sociedade para mudanças tão rápidas? Como garantir que a IA sirva às pessoas e não o contrário?
Ao refletir sobre essa linha do tempo — 1978, 1987 e 1991 — vejo como minha história se entrelaça com a história da própria tecnologia. O www abriu portas para a era da informação. A inteligência artificial abre portas para a era da inteligência digital. O futuro dependerá da forma como vamos escolher usar essas ferramentas: com responsabilidade, visão de impacto e, sobretudo, humanidade.

