Atrián conecta aprendizado técnico e empreendedorismo estudantil no Colégio Sinodal Prado Gravataí
No Colégio Sinodal Prado Gravataí, alunos do curso técnico em Desenvolvimento de Sistemas criaram a Atrián, iniciativa estudantil voltada para o desenvolvimento de soluções tecnológicas aplicáveis a problemas reais. O grupo atua em duas frentes: desenvolvimento de sites institucionais e automação de sistemas, com foco em empresas e organizações sociais da região metropolitana de Porto Alegre.
A equipe da Atrián é formada pelo fundador e programador Bernardo Renner, pelos co-fundadores e programadores Roberto Chamorro, Renan Soares e Joaquim Quadros, e pela responsável pelo marketing, fotografia e publicidade, Isis Valentin. O professor Clóvis Silveira é o coordenador do curso técnico e responsável pelo acompanhamento das atividades da iniciativa.
O nome da Atrián foi inspirado na estrela mais brilhante da constelação Triangulum Australe, a Alpha Trianguli Australis (Atria). A estrela também representa o estado do Rio Grande do Sul na bandeira do Brasil, sede da iniciativa e dos membros da Atrián, simbolizando conexão, energia e direção, valores que orientam o grupo em seus projetos.
Segundo Bernardo, a iniciativa surgiu da necessidade de aplicar na prática os conhecimentos adquiridos no curso técnico. “Tinha essa demanda dos alunos de aplicar os conhecimentos que víamos nas aulas. O principal objetivo da Atrián é o nosso desenvolvimento enquanto programadores e gestores de sistemas”, explica. O curso técnico tem duração de dois anos, totalizando 1.200 horas, e combina formação prática e teórica, incluindo o projeto integrador, que permite aos alunos identificar problemas reais e propor soluções tecnológicas.
Renan Soares, integrante da equipe, ressalta que os projetos escolares ajudaram a equipe a desenvolver autonomia e capacidade de resolver problemas. “O projeto de automação do sistema de envio de mensagens da escola nos deu contato com situações reais e nos incentivou a identificar oportunidades de melhoria”, afirma.
Essa experiência está sendo aplicada em projetos externos, como a parceria com a Fundação Casa dos Sonhos, onde o grupo vem desenvolvendo um sistema de cadastro e gestão para otimizar os processos internos da instituição.
O contato com a Fundação surgiu depois que o colégio encaminhou a proposta da equipe para o diretor do local. Os alunos realizaram visitas presenciais para conhecer o espaço, entender a rotina das crianças atendidas e identificar os principais desafios de gestão, como o armazenamento manual de dados em planilhas e fichas físicas, que geravam riscos e dificultavam o controle das informações.
Bernardo detalha que o contato começou em agosto, logo após o primeiro semestre, quando o grupo ainda estava aprendendo a linguagem PHP. “Enquanto desenvolvíamos o sistema, já aplicávamos conhecimentos das aulas e de trabalhos avaliativos que simulam situações reais, o que nos deu base para enfrentar os desafios do projeto”, explica.
Segundo o professor Clóvis Silveira, a capacidade de aprender a aprender e buscar soluções de forma autônoma é um diferencial do grupo. “O conhecimento não está limitado à aula ou ao professor. A disciplina é apenas um ponto de partida. O grupo da Atrián desenvolve habilidade para pesquisar, experimentar e aplicar tecnologia em problemas concretos”, observa.
A Atrián, porém, vai além do desenvolvimento de sistemas e automação. Segundo a equipe, o grupo também participa de eventos de tecnologia, hackathons, maratonas de programação e ações vinculadas ao grêmio estudantil, promovendo contato com o universo digital e a inteligência artificial. O foco é ampliar o aprendizado dos alunos, desenvolver habilidades em cenários reais e incentivar a futura geração a atuar no mundo da tecnologia.
Para os alunos, a iniciativa vai além do aprendizado técnico. Renan Soares afirma que a Atrián busca deixar um legado de solidariedade e experiência prática para as próximas gerações. “O contato direto com empresas e com o próprio desenvolvimento pessoal dos alunos é fundamental para formar profissionais preparados para o mercado”, diz.
Bernardo ressalta que o projeto também contribui para o desenvolvimento de competências empreendedoras e sociais. “Os alunos têm a oportunidade de desenvolver habilidades como compaixão, solidariedade e empreendedorismo em um ambiente que simula o mercado de trabalho”, afirma.
Além de contribuir com a vivência do aluno, o curso técnico em Desenvolvimento de Sistemas do Sinodal Prado oferece bolsas parciais a estudantes de escolas públicas que atendem a critérios específicos. Parte desses alunos também tem a oportunidade de atuar no mercado de trabalho por meio de indicações do colégio, realizando estágios em empresas da região e aplicando na prática os conhecimentos adquiridos ao longo do curso.

