Abrigo que acolheu mais de 2 mil cães nas enchentes tem dois dias para encontrar lares para 17 animais em Canoas
O Abrigo Palmira Gobbi, em Canoas, tem dois dias para encontrar lares definitivos a 17 cães que ainda permanecem no local. O espaço, criado em maio de 2024 para acolher animais resgatados durante a enchente que atingiu o Rio Grande do Sul, encerrará as atividades em 31 de outubro. Desde a criação, mais de 2,2 mil cães e gatos foram atendidos. O abrigo está localizado na Avenida Farroupilha, 8001, bairro São José.
A Prefeitura de Canoas havia definido o fechamento para 30 de agosto, mas prorrogou o prazo duas vezes. Segundo uma voluntária, o grupo foi informado de que não haverá novos adiamentos, e o encerramento das atividades ocorrerá em 31 de outubro. Caso os animais não sejam adotados até o fim do mês, eles serão encaminhados ao canil municipal, que enfrenta superlotação e não permite passeios ou visitas diárias. Voluntárias alertam que a transferência dos cães para o canil municipal pode comprometer a socialização e reduzir as chances de adoção. O grupo também busca alternativas para evitar esse encaminhamento e trabalha para garantir que os animais continuem recebendo cuidados, passeios e atenção diária enquanto aguardam adoção.
A preocupação aumenta diante da investigação aberta pela Polícia Civil em setembro de 2025 sobre o canil municipal. O inquérito apura denúncias de eutanásia irregular e desvio de doações. Pelo menos 240 cães teriam morrido entre janeiro e agosto de 2025, período em que a ex-secretária de Bem-Estar Animal, Paula Lopes, estava à frente da pasta. Durante uma operação, foram encontrados 14 animais mortos em um freezer e gatos em condições irregulares. Lopes foi exonerada em agosto e indiciada na última terça-feira (28). Outras pessoas também são investigadas.
Durante o período de prorrogação, a Prefeitura havia informado que promoveria feiras de adoção com os animais do abrigo, mas a comunicação oficial confirmou que nenhuma ação desse tipo foi realizada. Voluntárias afirmam que não houve contato para organização ou participação nas feiras.
Atualmente, os cães do Palmira Gobbi vivem em baias amplas, recebem acompanhamento veterinário e passeios diários com voluntários. Muitos foram resgatados em situação de trauma e medo, mas passaram por processo de reabilitação ao longo de 15 meses. Cada adoção é precedida de triagem para garantir que o animal seja destinado a um lar adequado.
Interessados podem entrar em contato pelo Instagram @caesresgatadoscanoas. O transporte dos animais pode ser viabilizado para os estados de Santa Catarina, Paraná e São Paulo.

