Abrigo Palmira Gobbi mantém nove cães à espera de adoção após fechamento da unidade em Canoas
Após o encerramento das atividades do Abrigo Palmira Gobbi, em Canoas, nove cães seguem aguardando adoção. Os animais fazem parte do grupo resgatado durante a enchente que atingiu o Rio Grande do Sul em maio de 2024, considerada a maior tragédia climática da história do estado.
Criado emergencialmente naquele período, o abrigo chegou a acolher mais de 2,5 mil cães e gatos retirados de áreas alagadas. O espaço funcionava na Avenida Farroupilha, 8001, no bairro São José, e teve suas atividades oficialmente encerradas no final de 2025, após diversas prorrogações concedidas pela Prefeitura de Canoas.
Desde novembro de 2025, após as polêmicas envolvendo a Secretaria Municipal de Bem-Estar Animal, voluntários do projeto assumiram integralmente a responsabilidade pelos cães que não haviam sido adotados até o fechamento da unidade. Atualmente, os nove animais vivem em um sítio particular localizado em Gravataí, mantido exclusivamente para o acolhimento do grupo.
Custos, manutenção e situação dos cães
De acordo com as responsáveis pelo Abrigo Palmira Gobbi, todos os custos passaram a ser arcados integralmente pelos voluntários desde o encerramento do abrigo. As despesas incluem hospedagem, alimentação e acompanhamento veterinário.
O gasto mensal é de aproximadamente R$ 3 mil, valor que contempla a permanência dos animais no sítio e a compra de ração. Além disso, há despesas recorrentes com medicamentos, como antipulgas, vermífugos, vacinas e outros tratamentos necessários para a manutenção da saúde dos cães.
Para garantir a continuidade do atendimento enquanto os animais não são adotados, foi criado um projeto de apadrinhamento. A iniciativa permite que interessados contribuam mensalmente com qualquer valor destinado a um cão específico, sem valor mínimo estipulado. Todo o recurso arrecadado é convertido para despesas de hospedagem, alimentação e cuidados veterinários.
Atualmente, apenas nove cães seguem à espera de adoção entre os mais de 2,5 mil animais resgatados desde maio de 2024. Todos são adultos, de porte médio ou grande, já estão castrados, vacinados e microchipados.
Fotos, informações e características individuais dos animais estão disponíveis no perfil @abrigopalmiragobbi, que mantém um destaque exclusivo com os cães aptos para adoção. Enquanto aguardam uma família, eles seguem recebendo acompanhamento diário, cuidados veterinários e convivendo em ambiente controlado.
Contexto do fechamento
O encerramento do abrigo ocorreu em meio às investigações envolvendo o canil municipal de Canoas. Em setembro de 2025, a Polícia Civil abriu inquérito para apurar denúncias de eutanásia irregular, mortes em larga escala e possível desvio de doações.
A investigação apura a morte de ao menos 240 cães entre janeiro e agosto de 2025. Durante a operação, foram encontrados 14 animais mortos armazenados em um freezer, além de gatos mantidos em condições consideradas inadequadas. A então secretária de Bem-Estar Animal, Paula Lopes, foi exonerada do cargo em agosto. Outras pessoas também são investigadas.
Na época, voluntários do Abrigo Palmira Gobbi manifestaram preocupação com a transferência dos cães para o canil municipal, o que motivou a busca por alternativas para evitar que os animais fossem encaminhados ao local.
Como ajudar
Interessados em adotar um dos cães podem entrar em contato com os voluntários do Abrigo Palmira Gobbi pelo telefone 51 9781-5926. Segundo o grupo, há possibilidade de organização de caronas solidárias para adotantes de outras cidades do Rio Grande do Sul e também para os estados de Santa Catarina, Paraná e São Paulo.
As doações financeiras são destinadas à manutenção dos animais, incluindo hospedagem, alimentação e cuidados veterinários, e podem ser realizadas por meio da chave Pix associacaopalmiragobbi@gmail.com.

